Começou minha estação preferida! A temporada de filmes da Mostra Internacional de Cinema – São Paulo International Film Festival. Ainda sonho em tirar pelo menos uma semana de férias nesse período do ano para tentar assistir ao máximo de sessões numa edição futura.
É muito difícil escrever sobre a cerimônia de abertura, realizada ontem, pois há uma semana perdemos nosso querido amigo e colega Leon Cakoff.

Leon Cakoff, criador da Mostra (Foto: Jornal da Mostra)
Leon era impaciente para transformar o mundo, sua sinceridade era visível até virtualmente, por e-mail. Sempre olhou nos olhos e trouxe um olhar doce para o cinema. Ele nunca deixou de nos surpreender com novidades ou soluções radicais em impasses de produção, me deixava perplexa. Numa das últimas vezes que nos reunimos com ele, na sala da casa dele e da Renata, estava muito feliz com o aniversário de 35 anos do evento e com a arte do Maurício de Souza para o cartaz.

A noite de ontem no Auditório Ibirapuera foi um rito de passagem, como bem descreveu Rubens Ewald Filho, pelo luto e tributo ao Leon. Os depoimentos emocionantes, como de André Sturm e Carlos Calil, nos ajudam a transformar a tristeza em um sentimento menos dolorido.
Imperdível a versão do clássico curta “Viagem à Lua”, do Georges Méliés, colorida e restaurada pela Lobster Film com trilha sonora moderna e maravilhosa do Air. Recomendo também o longa exibido ontem, o inquietante e envolvente novo filme dos irmãos Dardenne: O Garoto da Bicileta.
Adoro a Mostra. Me apaixonei por ela quando existia uma versão “pocket” itinerante, que chegava em Porto Alegre. Com certeza ela está no pacote de justificativas para minha vinda para São Paulo. Uma delícia dar voltas ao mundo, assistindo a obras raríssimas, de localidades distantes que espero um dia poder visitar. Um privilégio poder ver filmes magníficos muito antes do resto do mundo. Ontem foi reafirmado isso, entre os depoimentos no palco, e concordo plenamente: São Paulo é uma cidade cinéfila graças à Mostra. Não podemos reclamar muito do nosso leque de salas nem do calendário de estreias. [Espiem uma Filmcomment (uma excelente revista de cinema publicada pelo Lincoln Center). NYC não tem bom circuito de filmes europeus, por exemplo, não chega perto da programação de São Paulo.]
É um quebra-cabeça divertidíssimo escolher a programação, apesar de às vezes ser difícil de conciliar a agenda. Adoro rever os amigos nas proximidades da Paulista, nas filas e nas salas de cinema, trocar dicas de filmes. Arriscar por título ou por horário e me espantar com grandes ideias, lindas imagens. Tenho saudades disso.
Não sei o quanto vou conseguir aproveitar da 35ª Mostra, pois estamos numa gincana para “terminar a versão work in progress” do filme ”Mundo Invisível” para ser exibido nesta edição do festival. Assim como consegui parar uns minutos para redigir este post, movida pela paixão, também pretendo encaixar o que conseguir de sessões nos horários livres das próximas semanas.
Aproveito para agradecer as mensagens carinhosas que recebemos da equipe e dos diretores de “Mundo Invisível” nesses últimos dias.
Já estão sintonizados com a Mostra? Estão perdidos entre tantos filmes? Compartilho algumas dicas que vou seguir aqui. E espero encontrar vocês em uma das sessões de Mundo Invisível!